Encontro muito de mim na Filosofia e Visão de Nietzsche
O conceito de progresso é um dos pilares da modernidade desde o Iluminismo. Acreditamos que avanços tecnológicos, científicos e sociais nos levariam a uma sociedade mais justa, livre e plena. Friedrich Nietzsche, um dos filósofos mais provocadores, revelou uma questão inquietante: a ideia de progresso pode ser apenas uma ilusão.
Em suas obras, Nietzsche desafiou as bases morais e filosóficas da modernidade, revelando um profundo vazio que ela não consegue preencher. Ele apontou como o homem moderno, na busca incessante por crescimento e inovação, pode estar se afastando de sua essência e perdendo aquilo que dá sentido à vida.
Encontro muito de mim na filosofia, como nesta visão de Nietzsche: estamos todos conectados, mas essa mesma tecnologia que nos une também nos isola, aprofundando o vazio existencial que tentamos preencher com um progresso sem direção.
Se você já se perguntou se o que chamamos de progresso realmente nos faz mais felizes ou realizados, está no lugar certo. Vamos explorar passo a passo as críticas de Nietzsche ao progresso e ao vazio existencial que permeia a modernidade.
Friedrich Nietzsche foi um dos primeiros filósofos a desafiar a crença inabalável no progresso, tão amplamente difundida na modernidade. Para ele, a ideia de que a humanidade está em um caminho linear e ascendente rumo à perfeição é um mito, uma construção cultural que mascara os verdadeiros dilemas existenciais. Esse mito tem raízes no Iluminismo, período em que a razão e a ciência começaram a ser vistas como as forças capazes de libertar o ser humano da ignorância e da superstição.
Contudo, Nietzsche questionava se essas conquistas estavam realmente nos libertando ou apenas criando novas formas de escravidão, agora atreladas à racionalidade cega e ao avanço técnico. A crítica nietzschiana revela que o progresso, ao invés de enriquecer a existência humana, frequentemente a empobrece, ao desconectar o indivíduo de sua própria essência. A sociedade moderna, obcecada por resultados e pelo crescimento material, negligencia os aspectos mais profundos da vida, como a busca pelo significado e a realização pessoal.
O Vazio Existencial da Modernidade
Segundo Nietzsche, a crença no progresso funciona como uma espécie de consolo, uma narrativa coletiva que dá à humanidade a ilusão de que estamos chegando a algum lugar. Mas essa crença não suporta o peso do questionamento filosófico, pois ignora os abismos existenciais que permanecem inalterados, mesmo diante de avanços científicos e tecnológicos.
Uma das consequências dessa visão é o enfraquecimento dos valores tradicionais, que em tempos passados davam sentido à vida. “A morte de Deus” é a forma como Nietzsche descreve o fim das bases religiosas e morais no Ocidente. Com isso, a modernidade passa a ser um terreno fértil para o niilismo. O progresso, então, se transforma em uma fuga: ao invés de enfrentar o vazio e buscar um significado genuíno, a humanidade moderna se afunda em uma corrida incessante por mais conquistas, mais inovação e mais consumo.
Nietzsche, porém, nos alerta: enquanto continuarmos prisioneiros dessa ilusão, seremos incapazes de criar novos valores que realmente possam preencher o vazio existencial da modernidade.
Para Nietzsche, o niilismo é a consequência inevitável de uma sociedade que perdeu suas bases metafísicas e morais, especialmente no contexto de uma modernidade que idolatra o progresso. Ele define o niilismo como a percepção de que os valores supremos, até então aceitos (como Deus, a verdade universal ou os ideais transcendentes), se tornaram vazios e sem significado.
Esse colapso não é acidental. É, na visão de Nietzsche, o resultado direto do próprio progresso que a modernidade tanto celebra. Ao destronar Deus e substituir as tradições por ideais científicos e materiais, a sociedade moderna abriu espaço para um abismo existencial que nenhuma tecnologia ou inovação consegue preencher.
A obsessão pelo progresso exacerba o niilismo porque oferece objetivos cada vez mais distantes e inalcançáveis. A promessa de que “amanhã será melhor” cria uma tensão constante, uma insatisfação perpétua com o presente. O homem moderno, por acreditar que o progresso trará felicidade ou realização, acaba se afastando de si mesmo. Ele vive projetado no futuro, desconectado do aqui e agora, o que intensifica a sensação de vazio.
A Idolatria da Tecnologia
Nietzsche criticava a modernidade por substituir os antigos valores por novos ídolos. Entre eles, a ciência, a tecnologia e a crença no progresso tornaram-se os pilares de uma sociedade que, embora avançada tecnicamente, está espiritualmente empobrecida.
O problema, para Nietzsche, não está na ciência ou na tecnologia em si, mas na maneira como foram transformadas em novos sistemas de crença. O progresso tecnológico trouxe conforto e inovação, mas também gerou uma sociedade focada no consumo e na eficiência, em detrimento de reflexões mais profundas. Tecnologias avançadas podem aumentar a expectativa de vida, mas não ensinam como viver uma vida significativa.
Nietzsche nos convida a desafiar essa supremacia da tecnologia como fonte exclusiva de sentido e a buscar caminhos que resgatem a vitalidade e autenticidade da existência. Isso não significa rejeitar o progresso técnico, mas colocá-lo em perspectiva, reconhecendo suas limitações e o risco de nos tornarmos escravos de nossas próprias criações.
Minhas considerações sobre filosofia e visão de Nietzsche
Eu não posso deixar de sentir que Nietzsche enxergou o que poucos têm coragem de admitir. Às vezes, é como se suas palavras fossem o espelho dos meus próprios pensamentos, traduzindo aquilo que sinto, mas que não consigo expressar.
Quando ele diz: “Se você olha muito tempo para o abismo, o abismo olha para você”, não posso evitar o arrepio que isso me causa. Porque sei o que é encarar o próprio abismo, olhar para dentro e perceber que a escuridão me devolve o olhar. Há momentos em que a solidão se torna esmagadora, sim, solidão, mesmo vivendo em solitude, que é muito diferente da solidão, ela se faz presente em determinados momentos, não por falta de companhia, mas porque o peso da existência se impõe, e isto é inevitável.
E então, há aquela verdade incômoda: “Deus está morto.” Não que eu tenha escolhido essa descrença, mas porque, em muitos momentos, sinto que estou sozinho diante do meu próprio destino, e estou! e a ideia de um significado pronto e confortante me escapa. Sou eu quem precisa construir esse sentido, carregar essa responsabilidade. Assustador e libertador ao mesmo tempo.
Mas Nietzsche não fala apenas do caos e do vazio. Ele também me lança um desafio: “Torna-te quem tu és.”
Como posso ser plenamente eu se eu ainda sou um ser em construção? Como posso ultrapassar minhas próprias limitações e abandonar tudo o que não sou? Há dias em que sinto a força desse chamado, e há outros em que a inércia me prende. Mas sei que não posso me conformar, e o processo de lapidação prossegue.
Filosofia e Visão de Nietzsche
O eterno retorno, então, me assombra: Se eu tivesse que reviver cada momento, cada erro, cada dor, infinitamente, poderia suportar? Essa ideia me obriga a olhar para minha vida com seriedade, com coragem. Quero ser capaz de dizer que vivi sem arrependimentos, que cada escolha foi feita com autenticidade. Mas o passado é imutável, já foi escrito e consolidado.
Nietzsche não apenas escreveu palavras. Ele traduziu os sentimentos que carrego dentro de mim, aqueles que mal consigo nomear. Por isso, sempre que leio suas ideias, não sinto que ele fala apenas do mundo. Ele fala de mim.